Era o final da tarde de uma segunda-feira chuvosa de novembro. Voltava do trabalho com pressa, pensando nas minhas tarefas, no trânsito, na faculdade… Então, ocorreu uma intervenção. Alguém me chamou uma, duas vezes. Resolvi olhar, e percebi que era um daqueles rapazes que vendem artesanato na Borges de Medeiros. Normalmente diria que estou sem tempo para parar e seguiria meu caminho, mas algo me fez voltar lá.
O rapaz, que usava uma roupa
diferente e falava com um sotaque um pouco difícil de entender, me cumprimentou
e perguntou meu nome. Mesmo desconfiada, respondi. Ele perguntou, então, se
eu gostava de artesanato. Disse que sim, mas logo expliquei para ele que estava
sem dinheiro naquele momento. Provavelmente compraria algo, se tivesse com
algumas notas em mãos, pois seu trabalho era realmente muito bonito.
Sorrindo, ele disse que não tinha importância e perguntou se podia fazer uma
coisa para mim. Estranhando, mas bastante curiosa, respondi que sim.
Enquanto torcia um arame com
um alicate, o rapaz, cujo nome eu ainda desconhecia, perguntou se eu gostava de
flores. Disse que sim e ele falou que faria uma para mim. Mesmo fazendo o
trabalho, ele continuou puxando conversa. Quis saber o que eu fazia da vida.
Eu, ainda respondendo com poucas palavras, pelo estranhamento, falei que
cursava jornalismo. Então, ele comentou um pouco sobre seus trabalhos que
estavam expostos ali. Disse quais materiais usava e como os produzia. Aos poucos, eu fui
me sentindo mais a vontade com aquela conversa. Ele tinha um sorriso iluminado,
verdadeiro, que me passava tranquilidade.
Como sempre tive curiosidade sobre a
história de vida das pessoas, comecei a
fazer perguntas. “Tu mora por aqui mesmo?” foi a primeira questão. Ele
explicou que viva viajando e que morava um pouco em cada lugar. Então quis saber de onde ele veio, pois percebia que aquele sotaque era realmente
incomum. Ainda concentrado no trabalho com o arame, contou que nasceu no Peru.
O rapaz saiu de casa com 12 anos de idade, e aos 15, deixou seu país natal. Morou na
Itália, onde estudou. Também morou na França, na Argentina… E, de alguma forma,
chegou ao Brasil, mais precisamente, na cidade de Porto Alegre, capital do Rio
Grande do Sul.
Ele terminou o trabalho. Fez
um simples, mas muito bonito, anel de flor, usando apenas um pedaço de arame e um alicate.
Então, o rapaz colocou o objeto no meu dedo e apertou minha mão,
sorrindo. Agradeci e disse que voltaria para conversar mais. Antes de ir embora, perguntei seu nome. Apesar do barulho alto da chuva, consegui escutar
perfeitamente: “Meu nome é Juan”. Voltei para casa pensando em quão inusitado
aquilo havia sido. Não sei qual foi o objetivo do Juan, ao tomar tal atitude.
Mas ele me lembrou do meu objetivo, como estudante de jornalismo: conhecer as
histórias de pessoas com culturas diversas, e contá-las para quem quiser
ouvir. No fim das contas, aquele sorriso iluminado me contagiou. Me iluminou.

E como isso tudo inspira a gente, né? Continua contando essas histórias pra gente! :D
ResponderExcluirContinuarei, com prazer. :) Obrigada por ler!
ExcluirFoi um excelente começo para o blog! Tu escreve muito bem, eu consegui ver com clareza a cena se desenrolando, parabéns :)
ResponderExcluirObrigada, Marcus! Espero que tu continue gostando, nas próximas postagens. :)
ExcluirMuito legal Jojo! Adorei a história e muito bem escrita, parabéns!
ResponderExcluirQue bom que tu gostou! Muito Obrigada, Ju!
Excluir